ARTIGO CIENTÍFICO

HIV, INFLAMAÇÃO CRÔNICA E NUTRIÇÃO: RELAÇÃO ENTRE DIETA, MARCADORES INFLAMATÓRIOS E DOENÇAS METABÓLICAS – REVISÃO INTEGRATIVA COM ABORDAGEM SISTEMATIZADA Volume 6. Número 1. 2026 – ISSN 2764-4006 | DOI 1055703
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HIV, INFLAMAÇÃO CRÔNICA E NUTRIÇÃO: RELAÇÃO ENTRE DIETA, MARCADORES INFLAMATÓRIOS E DOENÇAS METABÓLICAS – REVISÃO INTEGRATIVA COM ABORDAGEM SISTEMATIZADA

HIV, Chronic Inflammation and Nutrition: Relationship Between Diet, Inflammatory Markers and Metabolic Diseases: An Integrative Review with a Systematized Approach


Lismeia Raimundo Soares

E-mail correspondente: lismeia@gmail.com

Data de publicação: 29 de Abril de 2026

10.55703/27644006060119

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RESUMO

A infecção pelo HIV passou a ser compreendida como condição crônica de manejo prolongado após a ampliação da terapia antirretroviral. Entretanto, mesmo em indivíduos com supressão viral, a inflamação sistêmica residual permanece associada ao aumento de morbidades não definidoras de AIDS, alterações metabólicas e risco cardiovascular. Esta revisão integrativa com abordagem sistematizada teve como objetivo analisar as evidências científicas sobre a relação entre HIV, inflamação crônica e nutrição, com ênfase na associação entre dieta, marcadores inflamatórios, microbiota intestinal e doenças metabólicas. Foram incluídos 26 estudos reais e rastreáveis, contemplando revisões críticas, estudos observacionais, coortes, ensaios clínicos, análises multiômicas, revisões sistemáticas e metanálises. Os achados demonstraram que biomarcadores como IL-6, proteína C reativa, D-dímero, sCD14, sCD163, TNF-alfa, TNFR1, LPS e I-FABP estão relacionados à ativação imune persistente, translocação microbiana, risco cardiovascular e síndrome metabólica em pessoas vivendo com HIV. A baixa qualidade da dieta, a ingestão reduzida de frutas, vegetais e fibras, bem como a insegurança alimentar, foram associadas a maior vulnerabilidade inflamatória e metabólica. Por outro lado, padrões alimentares mais saudáveis, especialmente próximos à dieta mediterrânea, além de intervenções com azeite de oliva extravirgem, ômega 3 e DHA, apresentaram potencial para modular parâmetros lipídicos, oxidativos, microbianos e inflamatórios, embora os efeitos não sejam uniformes entre todos os marcadores. Conclui-se que a nutrição ocupa papel estratégico no cuidado integral de pessoas vivendo com HIV, devendo ser integrada ao controle virológico, monitoramento metabólico, avaliação da composição corporal e enfrentamento da insegurança alimentar.

Palavras-chave: hiv; inflamação crônica; nutrição; doenças metabólicas.

ABSTRACT

HIV infection is now understood as a chronic condition requiring long-term management after the expansion of antiretroviral therapy. However, even among individuals with viral suppression, residual systemic inflammation remains associated with increased non-AIDS-defining morbidities, metabolic disorders, and cardiovascular risk. This integrative review with a systematized approach aimed to analyze scientific evidence on the relationship between HIV, chronic inflammation, and nutrition, emphasizing the association between diet, inflammatory biomarkers, gut microbiota, and metabolic diseases. Twenty-six real and traceable studies were included, comprising critical reviews, observational studies, cohorts, clinical trials, multi-omics analyses, systematic reviews, and meta-analyses. The findings showed that biomarkers such as IL-6, C-reactive protein, D-dimer, sCD14, sCD163, TNF-alpha, TNFR1, LPS, and I-FABP are related to persistent immune activation, microbial translocation, cardiovascular risk, and metabolic syndrome in people living with HIV. Poor diet quality, reduced intake of fruits, vegetables, and fiber, as well as food insecurity, were associated with greater inflammatory and metabolic vulnerability. Conversely, healthier dietary patterns, especially those close to the Mediterranean diet, along with interventions using extra virgin olive oil, omega-3 fatty acids, and DHA, showed potential to modulate lipid, oxidative, microbial, and inflammatory parameters, although effects were not uniform across all biomarkers. It is concluded that nutrition plays a strategic role in the comprehensive care of people living with HIV and should be integrated with virological control, metabolic monitoring, body composition assessment, and the management of food insecurity.

Keywords: hiv; chronic inflammation; nutrition; metabolic diseases.

INTRODUÇÃO

A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) passou por profunda transformação clínica nas últimas décadas, especialmente após a ampliação do acesso à terapia antirretroviral (TARV). O controle sustentado da replicação viral permitiu aumento expressivo da sobrevida e redução de infecções oportunistas e eventos definidores de AIDS. Entretanto, mesmo em indivíduos com carga viral suprimida, a infecção pelo HIV permanece associada a um estado de ativação imune persistente, inflamação sistêmica residual e maior ocorrência de comorbidades crônicas não transmissíveis, incluindo doenças cardiovasculares, alterações metabólicas, doença hepática, comprometimento renal, osteopenia, neuroinflamação e fragilidade clínica precoce [1,2].

A inflamação crônica no HIV é considerada um fenômeno multifatorial, decorrente da interação entre persistência viral residual, ativação de células imunes, disfunção da barreira intestinal, translocação microbiana, alterações da microbiota, coinfecções, envelhecimento imunológico e efeitos metabólicos relacionados à própria TARV [1,3,4]. Estudos clássicos demonstraram que biomarcadores como interleucina 6 (IL-6), proteína C reativa ultrassensível (PCR-us), D-dímero, sCD14 e sCD163 possuem relevância prognóstica em pessoas vivendo com HIV, estando associados à mortalidade, eventos cardiovasculares e morbidades não definidoras de AIDS [2-4]. Assim, o acompanhamento clínico dessa população não pode estar limitado à contagem de linfócitos T CD4+ e à carga viral, sendo necessário compreender os mecanismos inflamatórios, metabólicos e nutricionais que influenciam a saúde de longo prazo.

Entre os principais desfechos associados à inflamação persistente no HIV, destacam-se as doenças metabólicas e cardiovasculares. Pessoas vivendo com HIV apresentam maior frequência de dislipidemia, resistência à insulina, alterações na composição corporal, lipodistrofia, síndrome metabólica e risco cardiovascular aumentado [3,24,25]. Esses fenômenos são influenciados por múltiplos fatores, incluindo inflamação crônica, ativação endotelial, alterações no tecido adiposo, efeitos específicos de determinados esquemas antirretrovirais, envelhecimento e estilo de vida [3,25]. Nesse contexto, a síndrome metabólica assume especial relevância clínica, pois representa a convergência de alterações como obesidade abdominal, hipertensão arterial, hiperglicemia, hipertrigliceridemia e redução do HDL-colesterol, fatores que podem intensificar o risco de eventos cardiovasculares em indivíduos com HIV [24].

A nutrição emerge como componente estratégico nesse cenário, pois a qualidade da dieta pode influenciar diretamente vias metabólicas, inflamatórias, oxidativas e imunológicas. Estudos têm demonstrado que pessoas vivendo com HIV frequentemente apresentam padrões alimentares inadequados, com baixa ingestão de frutas, vegetais, fibras, laticínios e alimentos com perfil anti-inflamatório, além de maior consumo de gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados em determinados contextos [5-7]. A baixa qualidade alimentar pode agravar o risco cardiometabólico, contribuir para disbiose intestinal e favorecer a manutenção de um ambiente inflamatório crônico. Por outro lado, padrões alimentares mais saudáveis, especialmente aqueles próximos à dieta mediterrânea, têm sido associados a melhor perfil metabólico, composição mais favorável da microbiota intestinal e possível redução de biomarcadores inflamatórios [8,9,11].

A relação entre dieta, inflamação e HIV também deve ser compreendida a partir do eixo intestino, microbiota e imunometabolismo. A mucosa intestinal é um dos principais locais de dano imunológico precoce durante a infecção pelo HIV, com perda de integridade da barreira epitelial, redução da vigilância imune local e maior passagem de produtos microbianos para a circulação sistêmica [1,26]. Esse processo, conhecido como translocação microbiana, pode estimular monócitos, macrófagos e outras células do sistema imune, contribuindo para a elevação de marcadores como LPS, sCD14, I-FABP e citocinas pró-inflamatórias [13,26]. Alterações da microbiota intestinal têm sido associadas a inflamação, risco cardiovascular, síndrome metabólica e alterações hepáticas em pessoas vivendo com HIV [12-15].

Nesse sentido, a dieta pode atuar como moduladora da microbiota intestinal e da resposta inflamatória. Estudos sobre dieta mediterrânea, azeite de oliva extravirgem, fibras, padrões alimentares agrários e suplementação com ácidos graxos ômega 3 sugerem que intervenções nutricionais podem exercer efeitos sobre perfil lipídico, estresse oxidativo, biomarcadores inflamatórios e composição microbiana [8,9,16-21]. Contudo, os resultados ainda não são completamente homogêneos. Algumas intervenções demonstram benefício em marcadores como PCR e parâmetros lipídicos, enquanto outras não apresentam associação significativa com IL-6, TNF-alfa, permeabilidade intestinal ou marcadores sistêmicos de inflamação [10,20,21]. Isso indica que os efeitos da nutrição no HIV podem variar conforme o perfil clínico, imunológico, metabólico, alimentar e microbiológico dos indivíduos.

Além dos aspectos biológicos e dietéticos, a insegurança alimentar constitui um determinante social relevante da inflamação crônica em pessoas vivendo com HIV. A dificuldade de acesso regular a alimentos adequados pode comprometer a adesão terapêutica, piorar a qualidade da dieta, favorecer alterações metabólicas e intensificar a ativação imune [22,23]. Estudos demonstraram associação entre insegurança alimentar e níveis aumentados de IL-6, TNFR1, sCD14, sCD27 e sCD163, sugerindo que vulnerabilidades sociais e nutricionais podem contribuir para a persistência da inflamação e para maior risco de doenças crônicas nessa população [22,23]. Portanto, a abordagem nutricional no HIV deve ultrapassar a análise de nutrientes isolados, incorporando condições socioeconômicas, acesso alimentar, padrão dietético e risco metabólico.

Apesar do avanço das evidências, ainda existem lacunas importantes sobre a relação entre dieta, biomarcadores inflamatórios e doenças metabólicas em pessoas vivendo com HIV. Parte dos estudos apresenta desenho transversal, amostras reduzidas ou heterogeneidade quanto aos marcadores avaliados, intervenções nutricionais, regimes antirretrovirais e características clínicas dos participantes. Além disso, a maior parte das evidências aponta associações relevantes, mas ainda há necessidade de compreender melhor causalidade, dose-resposta, duração ideal das intervenções nutricionais e subgrupos com maior potencial de benefício [10,11,20,21].

Diante desse contexto, esta revisão integrativa com abordagem sistematizada tem como objetivo analisar criticamente as evidências científicas sobre a relação entre HIV, inflamação crônica e nutrição, com ênfase na influência da dieta, dos marcadores inflamatórios, da microbiota intestinal e das doenças metabólicas em pessoas vivendo com HIV. Busca-se, ainda, compreender como padrões alimentares, insegurança alimentar e intervenções nutricionais específicas podem modular a inflamação sistêmica, o risco cardiometabólico e os desfechos clínicos nessa população.

METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura com abordagem sistematizada, desenvolvida com o objetivo de reunir, analisar e sintetizar evidências científicas sobre a relação entre HIV, inflamação crônica e nutrição, com ênfase na associação entre dieta, marcadores inflamatórios, microbiota intestinal, translocação microbiana, doenças metabólicas e risco cardiometabólico em pessoas vivendo com HIV. A escolha por uma revisão integrativa justifica-se pela amplitude do fenômeno investigado, que envolve diferentes desenhos metodológicos, incluindo revisões narrativas e mecanísticas, estudos observacionais, coortes, ensaios clínicos, estudos de intervenção nutricional, análises multiômicas, revisões sistemáticas e metanálises. A abordagem sistematizada foi adotada para conferir maior transparência, organização e rigor ao processo de identificação, seleção, extração e interpretação dos estudos, sem restringir a análise a um único tipo de delineamento metodológico.

A elaboração da revisão foi orientada por etapas previamente definidas, incluindo formulação da pergunta norteadora, definição dos descritores e termos de busca, seleção das bases científicas, estabelecimento dos critérios de elegibilidade, triagem dos estudos, extração padronizada dos dados e síntese narrativa dos achados. Como referência metodológica complementar, foram considerados princípios do checklist PRISMA 2020, especialmente no que se refere à transparência da identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos. Entretanto, por se tratar de uma revisão integrativa com abordagem sistematizada, a síntese dos resultados foi conduzida de forma narrativa e temática, permitindo a integração de evidências quantitativas, qualitativas, mecanísticas e clínicas.

A pergunta norteadora definida para esta revisão foi: quais são as evidências científicas sobre a relação entre dieta, marcadores inflamatórios e doenças metabólicas em pessoas vivendo com HIV? A partir dessa pergunta, buscou-se compreender de que modo a qualidade da dieta, os padrões alimentares, a insegurança alimentar, a microbiota intestinal, a translocação microbiana e as intervenções nutricionais se relacionam com inflamação crônica, ativação imune, alterações metabólicas, síndrome metabólica e risco cardiovascular nessa população.

A busca bibliográfica foi estruturada a partir de descritores controlados e termos livres relacionados ao tema, combinados por operadores booleanos. Foram utilizados termos em inglês, considerando a maior disponibilidade de estudos indexados internacionalmente, incluindo: HIV, human immunodeficiency virus, chronic inflammation, immune activation, diet, diet quality, nutrition, Mediterranean diet, omega-3 fatty acids, food insecurity, gut microbiota, microbial translocation, inflammatory biomarkers, IL-6, C-reactive protein, D-dimer, sCD14, metabolic syndrome, cardiovascular risk, dyslipidemia, insulin resistance e antiretroviral therapy. As estratégias de busca foram adaptadas conforme as especificidades de cada base, utilizando combinações como: HIV AND chronic inflammation AND nutrition, HIV AND diet quality AND inflammatory biomarkers, HIV AND gut microbiota AND metabolic syndrome, HIV AND food insecurity AND immune activation, HIV AND omega-3 AND inflammation, HIV AND Mediterranean diet AND microbiota e HIV AND antiretroviral therapy AND metabolic alterations.

Foram consultadas bases e fontes científicas reconhecidas, incluindo PubMed/MEDLINE, PubMed Central, PLOS, Frontiers, MDPI, Oxford Academic, BMC/Springer, Clinical Nutrition e periódicos indexados em bases biomédicas internacionais. A busca priorizou estudos publicados em periódicos revisados por pares, com disponibilidade de informações bibliográficas rastreáveis, incluindo título, autoria, periódico, ano de publicação, volume, número, páginas ou identificador eletrônico, DOI, PMID ou PMCID quando disponível. A rastreabilidade dos estudos foi considerada critério essencial para inclusão na base final da revisão.

Foram incluídos estudos que abordassem, de forma direta ou indireta, a relação entre HIV, inflamação crônica, dieta, nutrição, microbiota intestinal, marcadores inflamatórios, translocação microbiana, doenças metabólicas, síndrome metabólica, dislipidemia, resistência à insulina ou risco cardiovascular. Foram aceitos diferentes delineamentos metodológicos, incluindo revisões críticas, estudos transversais, estudos observacionais, coortes, ensaios clínicos randomizados, estudos de intervenção nutricional, análises multiômicas, revisões sistemáticas e metanálises. Também foram considerados estudos sobre insegurança alimentar em pessoas vivendo com HIV, desde que apresentassem associação com ativação imune, inflamação sistêmica ou risco de doenças crônicas. A inclusão de estudos com diferentes desenhos foi necessária em razão da natureza multifatorial do tema e da necessidade de integrar evidências clínicas, metabólicas, imunológicas, nutricionais e microbiológicas.

Foram excluídos estudos que não apresentavam relação clara com pessoas vivendo com HIV, artigos sem rastreabilidade bibliográfica adequada, publicações sem revisão por pares, editoriais sem contribuição científica direta ao objetivo da revisão, estudos exclusivamente voltados à desnutrição aguda sem análise de inflamação ou metabolismo, pesquisas centradas apenas em adesão à TARV sem interface com nutrição ou inflamação, estudos sobre HIV pediátrico quando não comparáveis à população adulta e artigos que abordavam doenças metabólicas sem estabelecer relação com inflamação, dieta, microbiota ou terapia antirretroviral. Também foram excluídos registros duplicados, estudos com informações bibliográficas insuficientes e publicações cujo conteúdo não apresentava aderência ao eixo temático proposto.

A seleção dos estudos ocorreu em etapas sucessivas. Inicialmente, foram identificadas publicações potencialmente relevantes a partir das estratégias de busca. Em seguida, realizou-se a leitura dos títulos e resumos para verificar a aderência ao tema da revisão. Os estudos considerados elegíveis foram submetidos à leitura do texto completo ou de informações bibliográficas ampliadas disponíveis em bases científicas. Após essa etapa, foi composta uma base final com 26 estudos reais, rastreáveis e alinhados ao objetivo da revisão. A seleção final buscou garantir equilíbrio entre estudos clássicos sobre inflamação crônica no HIV, evidências sobre qualidade da dieta, pesquisas sobre microbiota e translocação microbiana, estudos sobre intervenções nutricionais, investigações relacionadas à insegurança alimentar e publicações sobre síndrome metabólica e alterações metabólicas associadas à TARV.

A extração dos dados foi realizada por meio de matriz padronizada, contemplando as seguintes informações: autor e ano de publicação, tipo de estudo, população ou amostra, variáveis ou marcadores analisados, principais achados e contribuição do estudo para a revisão. Os marcadores inflamatórios e metabólicos de maior interesse incluíram IL-6, proteína C reativa, proteína C reativa ultrassensível, D-dímero, sCD14, sCD163, TNF-alfa, TNFR1, LPS, I-FABP, parâmetros lipídicos, glicemia, resistência à insulina, composição corporal, síndrome metabólica, microbiota intestinal e indicadores de qualidade da dieta. Também foram extraídos dados referentes a padrões alimentares, dieta mediterrânea, consumo de azeite de oliva extravirgem, suplementação com ácidos graxos ômega 3, insegurança alimentar e regimes de terapia antirretroviral.

A análise dos dados foi conduzida por síntese narrativa e categorização temática. Após a leitura crítica dos estudos, os achados foram agrupados em seis eixos principais: inflamação crônica, coagulação e eventos não definidores de AIDS; qualidade da dieta e padrões alimentares; microbiota intestinal, translocação microbiana e imunometabolismo; intervenções nutricionais e modulação inflamatória; insegurança alimentar e ativação imune; e síndrome metabólica, risco cardiovascular e terapia antirretroviral. Essa organização permitiu integrar evidências de diferentes naturezas e identificar convergências, divergências e lacunas na literatura.

Por se tratar de uma revisão integrativa baseada em dados secundários, provenientes de estudos previamente publicados e disponíveis em bases científicas, não houve necessidade de submissão a Comitê de Ética em Pesquisa, conforme normas aplicáveis a pesquisas que não envolvem coleta direta de dados com seres humanos. Ainda assim, foram observados princípios de rigor científico, transparência metodológica, rastreabilidade das fontes, fidelidade aos achados dos estudos originais e uso adequado das referências em estilo Vancouver.

RESULTADOS

A presente revisão integrativa com abordagem sistematizada incluiu 26 estudos publicados entre 2008 e 2026, contemplando diferentes delineamentos metodológicos e níveis de evidência. A base analisada reuniu revisões críticas, estudos transversais, estudos observacionais, coortes, ensaios clínicos, estudos de intervenção nutricional, análises multiômicas, revisões sistemáticas e metanálises. Essa diversidade metodológica permitiu uma compreensão ampla da relação entre HIV, inflamação crônica, nutrição, microbiota intestinal, marcadores inflamatórios e doenças metabólicas.

Os estudos incluídos demonstraram que a inflamação crônica em pessoas vivendo com HIV não pode ser compreendida apenas como consequência direta da replicação viral. Mesmo em indivíduos em uso de terapia antirretroviral e com supressão viral, há persistência de ativação imune sistêmica, alterações da barreira intestinal, translocação microbiana, disbiose, alterações metabólicas e maior risco de eventos não definidores de AIDS [1-4,26]. Os biomarcadores mais frequentemente associados a esse processo foram IL-6, proteína C reativa, proteína C reativa ultrassensível, D-dímero, sCD14, sCD163, TNF-alfa, TNFR1, LPS e I-FABP [2-4,22,23,26].

A análise dos estudos permitiu organizar os achados em seis eixos principais: inflamação crônica e eventos não definidores de AIDS; qualidade da dieta e padrões alimentares; microbiota intestinal, translocação microbiana e imunometabolismo; intervenções nutricionais; insegurança alimentar e ativação imune; e síndrome metabólica, risco cardiovascular e terapia antirretroviral. A Tabela 1 apresenta a distribuição dos estudos conforme os eixos temáticos identificados.

Tabela 1 – Distribuição dos estudos incluídos conforme eixo temático da revisão

Eixo temático Estudos incluídos Principais variáveis analisadas Síntese dos achados
Inflamação crônica, coagulação e eventos não definidores de AIDS 1, 2, 3, 4 IL-6, PCR, PCR-us, D-dímero, sCD14, sCD163, mortalidade, eventos cardiovasculares e eventos não AIDS A inflamação residual e a ativação da coagulação persistem mesmo em indivíduos tratados e estão associadas a mortalidade, risco cardiovascular e morbidades não definidoras de AIDS
Qualidade da dieta e padrões alimentares 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 Índices de qualidade da dieta, padrão mediterrâneo, padrão ocidental, fibras, frutas, vegetais, gorduras, perfil alimentar Pessoas vivendo com HIV frequentemente apresentam qualidade alimentar inadequada; padrões mais saudáveis foram associados a melhores perfis metabólicos, microbianos e inflamatórios
Microbiota intestinal, translocação microbiana e imunometabolismo 9, 11, 12, 13, 14, 15, 26 Microbioma intestinal, metaboloma, LPS, sCD14, I-FABP, disbiose, barreira intestinal, síndrome metabólica Alterações da microbiota e da barreira intestinal podem favorecer translocação microbiana, ativação imune persistente e maior risco metabólico
Intervenções nutricionais e modulação inflamatória 8, 9, 16, 17, 18, 19, 20, 21 Dieta mediterrânea, azeite de oliva extravirgem, ômega 3, DHA, perfil lipídico, PCR, IL-6, TNF-alfa, estresse oxidativo Intervenções nutricionais podem melhorar parâmetros lipídicos, oxidativos e alguns marcadores inflamatórios, embora os efeitos não sejam uniformes entre todos os biomarcadores
Insegurança alimentar e ativação imune 22, 23 Insegurança alimentar, IL-6, TNFR1, sCD14, sCD27, sCD163, ativação imune A insegurança alimentar foi associada a maior inflamação e ativação imune, indicando que a vulnerabilidade nutricional atua como determinante social da inflamação no HIV
Síndrome metabólica, risco cardiovascular e TARV 3, 7, 14, 15, 24, 25 Dislipidemia, resistência à insulina, síndrome metabólica, microbiota, risco cardiovascular, regimes antirretrovirais A interação entre HIV, TARV, inflamação, dieta e microbiota contribui para maior carga de alterações cardiometabólicas

Os estudos clássicos sobre inflamação crônica no HIV demonstraram associação consistente entre biomarcadores inflamatórios, coagulação e desfechos clínicos adversos. Deeks, Tracy e Douek [1] destacaram que a inflamação sistêmica persistente constitui um dos principais mecanismos envolvidos no envelhecimento precoce e no desenvolvimento de comorbidades em pessoas vivendo com HIV. Kuller et al. [2] demonstraram que IL-6 e D-dímero se associaram ao aumento do risco de mortalidade, enquanto Duprez et al. [3] identificaram relação entre inflamação, coagulação e doença cardiovascular. Tenorio et al. [4], por sua vez, evidenciaram que marcadores solúveis de inflamação e coagulação predizem eventos mórbidos não definidores de AIDS durante TARV supressiva.

Em relação à dieta, os estudos demonstraram que a qualidade alimentar de pessoas vivendo com HIV tende a ser subótima. Weiss et al. [5] observaram baixa qualidade da dieta nessa população, com diferenças segundo o sexo e associação entre melhor qualidade alimentar e menor ativação imune medida por sCD14. Duran et al. [6] também identificaram inadequações alimentares importantes em indivíduos sob terapia antirretroviral, especialmente quanto ao consumo de frutas, vegetais, fibras e laticínios. Em uma coorte global, Fitch et al. [7] demonstraram que adultos com HIV e risco cardiovascular tradicional baixo a moderado ainda apresentavam padrões alimentares que demandam atenção preventiva.

Os achados relacionados aos padrões alimentares indicaram possível benefício de dietas com maior densidade nutricional e perfil anti-inflamatório. Stradling et al. [8] avaliaram uma intervenção dietética baseada em dieta mediterrânea/portfolio em pessoas vivendo com HIV e dislipidemia, sugerindo potencial aplicabilidade da abordagem nutricional no manejo do risco cardiovascular. Pastor-Ibáñez et al. [9] observaram que a adesão a uma dieta mediterrânea suplementada esteve associada a alterações favoráveis na microbiota intestinal, melhora de parâmetros metabólicos, ativação imune e função de células T reguladoras. Manzano et al. [11] reforçaram essa relação ao demonstrar associação entre dieta, microbiota intestinal e biomarcadores inflamatórios em pessoas vivendo com HIV.

A análise da microbiota intestinal emergiu como eixo central dos resultados. Estudos multiômicos e observacionais indicaram que a disbiose, a perda de integridade da barreira intestinal e a translocação microbiana podem contribuir para a ativação imune persistente e para alterações metabólicas em pessoas vivendo com HIV [12-15,26]. Armstrong et al. [13] relacionaram características do microbioma intestinal a fenótipos metabólicos e imunológicos, enquanto Baltazar-Díaz et al. [14] observaram diferenças nas comunidades bacterianas intestinais em indivíduos com HIV e síndrome metabólica. MacCann et al. [15] acrescentaram evidências recentes sobre a associação entre microbioma intestinal, inflamação e perfis cardiovasculares. Ouyang et al. [26] destacaram a relevância de biomarcadores de dano intestinal e translocação microbiana, como LPS, sCD14 e I-FABP, na persistência da inflamação sistêmica.

Os estudos de intervenção nutricional apresentaram resultados promissores, embora heterogêneos. Intervenções com azeite de oliva extravirgem foram avaliadas em relação a biomarcadores inflamatórios, perfil lipídico e microbiota intestinal [16,17]. A suplementação com ômega 3 também foi investigada em ensaios clínicos e revisões sistemáticas, com achados que indicam possível redução da proteína C reativa, mas sem efeito consistente sobre IL-6 e TNF-alfa [18-21]. Domingo et al. [19] acrescentaram a análise do DHA sobre tecido adiposo subcutâneo e expressão gênica inflamatória, evidenciando a relevância do tecido adiposo como componente imunometabólico no HIV.

A Tabela 2 apresenta os principais biomarcadores e desfechos identificados nos estudos, bem como sua interpretação dentro da relação entre HIV, nutrição, inflamação e doenças metabólicas.

Tabela 2 – Principais biomarcadores, variáveis nutricionais e desfechos analisados nos estudos incluídos

Categoria Marcadores ou variáveis Estudos relacionados Interpretação dos achados
Inflamação sistêmica IL-6, PCR, PCR-us, TNF-alfa, TNFR1 2, 3, 4, 19, 20, 21, 22 Associados à inflamação persistente, mortalidade, risco cardiovascular e resposta variável a intervenções nutricionais
Coagulação e risco cardiovascular D-dímero, perfil cardiovascular, eventos cardiovasculares 2, 3, 4, 7, 15 A ativação da coagulação aparece como componente importante do risco cardiovascular e da morbidade não AIDS
Ativação imune e monocitária sCD14, sCD163, sCD27 4, 5, 22, 23, 26 Marcadores associados à ativação imune persistente, translocação microbiana e insegurança alimentar
Barreira intestinal e translocação microbiana LPS, I-FABP, permeabilidade intestinal, dano mucoso 10, 13, 26 Indicam possível ligação entre dano intestinal, passagem de produtos microbianos e inflamação sistêmica
Dieta e qualidade alimentar Qualidade da dieta, padrão mediterrâneo, padrão ocidental, fibras, frutas, vegetais, gorduras 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 Dietas de melhor qualidade tendem a se associar a perfil metabólico e inflamatório mais favorável, embora nem todos os estudos demonstrem associação direta
Microbiota e metaboloma Composição bacteriana, diversidade microbiana, metaboloma fecal 9, 11, 12, 13, 14, 15 A microbiota intestinal aparece como mediadora potencial entre dieta, inflamação e doenças metabólicas
Intervenções nutricionais Dieta mediterrânea, azeite de oliva extravirgem, ômega 3, DHA 8, 9, 16, 17, 18, 19, 20, 21 Intervenções nutricionais podem modular marcadores lipídicos, oxidativos, microbianos e inflamatórios, com resultados dependentes do tipo de intervenção e do perfil do paciente
Doenças metabólicas Síndrome metabólica, dislipidemia, resistência à insulina, alterações corporais 14, 15, 24, 25 A carga de alterações metabólicas é relevante em pessoas vivendo com HIV e resulta da interação entre inflamação, TARV, microbiota e estilo de vida
Determinantes sociais da nutrição Insegurança alimentar, acesso alimentar, vulnerabilidade social 22, 23 A insegurança alimentar está associada a maior ativação imune e inflamação, indicando que o contexto social interfere nos desfechos clínicos

A insegurança alimentar também foi identificada como fator relevante na modulação da inflamação em pessoas vivendo com HIV. Leddy et al. [22] demonstraram associação entre insegurança alimentar e elevação de IL-6 e TNFR1 em mulheres vivendo com HIV. Tamargo et al. [23] observaram que a insegurança alimentar se relacionou a maior ativação imune, expressa por marcadores como sCD14, sCD27 e sCD163. Esses achados indicam que o

estado nutricional no HIV deve ser analisado para além do consumo individual de nutrientes, incluindo acesso alimentar, vulnerabilidade socioeconômica e condições de vida.

Quanto às doenças metabólicas, a literatura analisada apontou que a síndrome metabólica representa uma condição de elevada relevância clínica em adultos vivendo com HIV. A metanálise de Trachunthong et al. [24] demonstrou carga global expressiva de síndrome metabólica nessa população. Ergin et al. [25] discutiram que o HIV e a TARV podem contribuir para alterações metabólicas como dislipidemia, resistência à insulina, lipodistrofia e alterações da composição corporal. Esses achados reforçam que a abordagem das comorbidades metabólicas em pessoas vivendo com HIV deve considerar simultaneamente fatores virais, imunológicos, farmacológicos, nutricionais e comportamentais.

De modo geral, os resultados indicam que a relação entre HIV, inflamação crônica e nutrição é mediada por múltiplas vias interligadas. A dieta pode influenciar a inflamação sistêmica tanto de forma direta, por meio da ingestão de nutrientes, padrões alimentares e compostos bioativos, quanto de forma indireta, pela modulação da microbiota intestinal, do metabolismo lipídico, do estresse oxidativo, da barreira intestinal e da ativação imune. No entanto, os achados também demonstram que intervenções nutricionais isoladas não explicam completamente a inflamação crônica no HIV, pois esse processo envolve fatores virais, imunológicos, metabólicos, sociais e terapêuticos.

Assim, a síntese dos estudos aponta que pessoas vivendo com HIV constituem uma população com risco aumentado para inflamação sistêmica persistente e doenças metabólicas, mesmo na era da terapia antirretroviral efetiva. A qualidade da dieta, a insegurança alimentar, a microbiota intestinal e as intervenções nutricionais específicas devem ser consideradas componentes relevantes no cuidado clínico e na prevenção cardiometabólica dessa população. Esses achados sustentam a necessidade de estratégias integradas que associem controle virológico, acompanhamento nutricional, avaliação metabólica, monitoramento de biomarcadores inflamatórios e promoção de padrões alimentares saudáveis.

DISCUSSÃO

Os achados desta revisão integrativa com abordagem sistematizada demonstram que a relação entre HIV, inflamação crônica e nutrição é complexa, multidimensional e fortemente influenciada pela interação entre fatores imunológicos, metabólicos, intestinais, dietéticos, terapêuticos e sociais. Embora a terapia antirretroviral tenha modificado profundamente o curso clínico da infecção pelo HIV, reduzindo a mortalidade associada à AIDS e aumentando a expectativa de vida, a literatura analisada indica que a supressão viral não elimina completamente a ativação imune persistente nem o risco aumentado de comorbidades crônicas [1-4]. Esse aspecto é central para compreender por que pessoas vivendo com HIV apresentam maior vulnerabilidade a doenças cardiovasculares, síndrome metabólica, alterações hepáticas, dislipidemia, resistência à insulina e outros desfechos não definidores de AIDS [3,24,25].

A inflamação sistêmica residual aparece como eixo fisiopatológico essencial nessa população. Estudos clássicos demonstraram que marcadores como IL-6, D-dímero, PCR ultrassensível, sCD14 e sCD163 estão associados a mortalidade, eventos cardiovasculares e morbidades não definidoras de AIDS [2-4]. Esses achados indicam que a avaliação clínica de pessoas vivendo com HIV não deve se restringir ao controle da carga viral e à contagem de linfócitos T CD4+, pois o risco de adoecimento crônico pode persistir mesmo em indivíduos com boa resposta virológica à TARV. Nesse sentido, a inflamação crônica no HIV deve ser interpretada como um fenômeno de base imunometabólica, no qual a resposta inflamatória sustentada contribui para alterações endoteliais, coagulação, disfunção adipocitária, disbiose intestinal e maior suscetibilidade a doenças crônicas [1,3,4].

Um dos principais pontos identificados nesta revisão é o papel da dieta como possível moduladora da inflamação e do risco metabólico em pessoas vivendo com HIV. Estudos sobre qualidade alimentar demonstraram que essa população frequentemente apresenta padrões dietéticos inadequados, com baixa ingestão de frutas, vegetais, fibras e alimentos de maior densidade nutricional [5-7]. Tais inadequações podem contribuir para pior perfil lipídico, maior adiposidade, alteração da microbiota intestinal e intensificação de vias inflamatórias. A baixa qualidade da dieta observada em estudos como os de Weiss et al. [5] e Duran et al. [6] reforça a necessidade de incluir a avaliação nutricional como parte do cuidado longitudinal no HIV, especialmente em pacientes com risco cardiovascular, síndrome metabólica ou sinais laboratoriais de inflamação persistente.

Apesar disso, a relação entre dieta e inflamação no HIV não deve ser interpretada de forma linear. Malazogu et al. [10], por exemplo, não identificaram associação significativa entre o Índice Inflamatório da Dieta, permeabilidade intestinal e biomarcadores sistêmicos de inflamação em pessoas com HIV não respondedoras imunológicas. Esse achado é relevante porque mostra que a inflamação crônica no HIV não pode ser atribuída exclusivamente à dieta. Em muitos casos, fatores como dano mucoso prévio, translocação microbiana persistente, histórico de imunossupressão, duração da infecção, composição da TARV, coinfecções, idade, adiposidade e fatores sociais podem modular a resposta inflamatória independentemente do padrão alimentar avaliado [1,4,10,26]. Assim, a nutrição deve ser compreendida como um componente importante, mas não isolado, dentro de uma rede causal mais ampla.

Entre os padrões alimentares investigados, a dieta mediterrânea se destaca como uma das abordagens mais promissoras. Estudos incluídos nesta revisão sugerem que padrões alimentares ricos em alimentos minimamente processados, fibras, gorduras insaturadas, frutas, vegetais, leguminosas e azeite de oliva podem favorecer melhor perfil metabólico, composição intestinal mais saudável e possível redução de marcadores inflamatórios [8,9,11]. Pastor-Ibáñez et al. [9] demonstraram que a adesão a uma dieta mediterrânea suplementada esteve associada a mudanças na microbiota intestinal, melhora de parâmetros metabólicos, ativação imune e função de células T reguladoras em indivíduos infectados pelo HIV-1. Esses achados sugerem que a intervenção nutricional pode impactar não apenas marcadores metabólicos tradicionais, mas também mecanismos imunológicos e microbianos relacionados à inflamação crônica.

A microbiota intestinal aparece como uma interface fundamental entre dieta, HIV, inflamação e doenças metabólicas. A literatura analisada indica que o trato gastrointestinal é um compartimento criticamente afetado pela infecção pelo HIV, com dano à barreira mucosa, alterações da imunidade local e maior translocação de produtos microbianos para a circulação sistêmica [1,26]. Esse processo pode estimular monócitos e macrófagos, aumentar a expressão de marcadores como sCD14 e sCD163 e contribuir para manutenção da ativação imune sistêmica [4,13,26]. Dessa forma, a disbiose intestinal não representa apenas uma alteração local, mas um possível mecanismo sistêmico de perpetuação da inflamação e do risco metabólico.

Os estudos multiômicos e observacionais reforçam essa interpretação ao demonstrarem associação entre microbioma intestinal, metaboloma fecal, saúde hepática, síndrome metabólica e perfis cardiovasculares em pessoas vivendo com HIV [12-15]. Armstrong et al. [13] demonstraram que o microbioma intestinal pode influenciar fenótipos metabólicos e imunológicos em populações HIV positivas e de alto risco. Baltazar-Díaz et al. [14] observaram diferenças nas comunidades bacterianas intestinais em indivíduos com HIV e síndrome metabólica, enquanto MacCann et al. [15] relacionaram microbiota intestinal, inflamação e perfis cardiovasculares. Esses achados sustentam a hipótese de que parte do risco cardiometabólico no HIV pode ser mediado pelo eixo intestino, imunidade e metabolismo.

As intervenções nutricionais avaliadas nos estudos incluídos apresentaram resultados relevantes, mas ainda heterogêneos. O azeite de oliva extravirgem foi investigado em relação a biomarcadores inflamatórios, perfil lipídico e microbiota intestinal, com potencial benefício em parâmetros relacionados à aterosclerose e ao metabolismo lipídico [16,17]. A suplementação com ômega 3 também se mostrou promissora, especialmente pela possibilidade de reduzir proteína C reativa e modular estresse oxidativo, embora os efeitos sobre IL-6, TNF-alfa e outros marcadores inflamatórios não tenham sido consistentes em todos os estudos [18-21]. Essa heterogeneidade sugere que intervenções nutricionais isoladas podem apresentar benefícios específicos, mas provavelmente dependem da dose, duração, composição da dieta habitual, estado inflamatório basal, presença de dislipidemia, tipo de TARV e perfil metabólico do paciente.

Outro aspecto importante é o papel do tecido adiposo como órgão imunometabólico. Domingo et al. [19] avaliaram o efeito do DHA sobre marcadores inflamatórios e expressão gênica no tecido adiposo subcutâneo em pacientes com HIV em TARV combinada. Esse tipo de evidência amplia a compreensão da inflamação metabólica no HIV, pois demonstra que alterações corporais, acúmulo de gordura visceral, disfunção adipocitária e lipodistrofia podem contribuir para a produção de mediadores inflamatórios e para o aumento do risco cardiometabólico. Portanto, a abordagem nutricional deve considerar não apenas biomarcadores séricos, mas também composição corporal, distribuição de gordura, resistência à insulina e saúde metabólica global [19,25].

A insegurança alimentar merece destaque especial por representar uma dimensão social frequentemente negligenciada na discussão sobre inflamação e nutrição no HIV. Os estudos de Leddy et al. [22] e Tamargo et al. [23] demonstraram associação entre insegurança alimentar e elevação de marcadores inflamatórios e de ativação imune, incluindo IL-6, TNFR1, sCD14, sCD27 e sCD163. Esses achados indicam que o risco inflamatório não é determinado apenas por escolhas alimentares individuais, mas também pelas condições concretas de acesso a alimentos adequados, estabilidade econômica, vulnerabilidade social e capacidade de manutenção de uma dieta saudável. Assim, estratégias nutricionais voltadas a pessoas vivendo com HIV devem incorporar políticas de segurança alimentar, educação nutricional, acesso a alimentos de qualidade e acompanhamento multiprofissional.

A síndrome metabólica e o risco cardiovascular representam desfechos clínicos centrais nesta discussão. A metanálise de Trachunthong et al. [24] demonstrou carga expressiva de síndrome metabólica na população adulta vivendo com HIV, reforçando que alterações metabólicas são um problema global nessa população. Tais alterações podem ser explicadas pela combinação de inflamação crônica, efeitos adversos de determinados antirretrovirais, envelhecimento, sedentarismo, dieta inadequada, alterações da microbiota e predisposição individual [24,25]. O HIV, portanto, deve ser interpretado como uma condição crônica que demanda vigilância metabólica permanente, sobretudo em indivíduos com longa exposição à TARV ou com fatores de risco cardiovascular adicionais.

Do ponto de vista clínico, os resultados desta revisão sugerem que o cuidado nutricional em pessoas vivendo com HIV deve assumir caráter preventivo, terapêutico e individualizado. A avaliação dietética deve considerar qualidade global da alimentação, ingestão de fibras, frutas, vegetais, gorduras saturadas, gorduras insaturadas, alimentos ultraprocessados, consumo de álcool, padrão alimentar predominante e presença de insegurança alimentar. Além disso, a conduta nutricional deve ser integrada à avaliação laboratorial de perfil lipídico, glicemia, resistência à insulina, composição corporal, marcadores hepáticos e, quando possível, biomarcadores inflamatórios. Essa abordagem integrada pode contribuir para reduzir o risco cardiometabólico e melhorar a qualidade de vida dessa população.

No entanto, é necessário reconhecer limitações importantes da literatura analisada. Muitos estudos apresentam delineamento transversal, o que limita inferências causais entre dieta, inflamação e desfechos metabólicos. Além disso, há heterogeneidade quanto aos instrumentos de avaliação alimentar, marcadores inflamatórios analisados, características clínicas dos participantes, tempo de infecção, regimes antirretrovirais e critérios para definição de síndrome metabólica. Também há escassez de ensaios clínicos randomizados de maior escala e longa duração avaliando intervenções dietéticas completas em pessoas vivendo com HIV. Esses aspectos dificultam a construção de recomendações específicas e universais sobre intervenções nutricionais para modulação da inflamação nessa população.

Ainda assim, os estudos disponíveis permitem afirmar que a nutrição ocupa posição estratégica no cuidado de pessoas vivendo com HIV. A dieta pode influenciar vias inflamatórias, microbiota intestinal, metabolismo lipídico, estresse oxidativo, composição corporal e risco cardiovascular [5,8,9,11,16-21]. Contudo, o impacto da nutrição depende de fatores individuais e contextuais, incluindo adesão à TARV, estado imunológico, vulnerabilidade social, segurança alimentar, padrão de microbiota, presença de comorbidades e perfil metabólico. Dessa forma, o manejo nutricional no HIV deve ser compreendido como parte de uma abordagem interdisciplinar, envolvendo infectologia, nutrição, cardiologia, endocrinologia, saúde pública e cuidado psicossocial.

Em síntese, a discussão dos estudos incluídos evidencia que a inflamação crônica no HIV permanece como um desafio clínico relevante na era da TARV. A dieta, a microbiota intestinal e as condições nutricionais exercem papel importante na modulação desse processo, mas não atuam isoladamente. A interação entre inflamação residual, translocação microbiana, alterações metabólicas, insegurança alimentar e padrões dietéticos inadequados contribui para ampliar o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares. Portanto, intervenções nutricionais baseadas em padrões alimentares saudáveis, associadas ao monitoramento metabólico e ao enfrentamento da insegurança alimentar, representam caminhos promissores para reduzir a carga de morbidades crônicas em pessoas vivendo com HIV.

CONCLUSÃO

A presente revisão integrativa com abordagem sistematizada evidenciou que a relação entre HIV, inflamação crônica e nutrição envolve múltiplos mecanismos interdependentes, incluindo ativação imune persistente, alterações da barreira intestinal, translocação microbiana, disbiose, alterações metabólicas, efeitos da terapia antirretroviral, qualidade da dieta e condições de segurança alimentar. Mesmo na era da terapia antirretroviral efetiva, pessoas vivendo com HIV podem apresentar inflamação sistêmica residual, associada ao aumento do risco de morbidades não definidoras de AIDS, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica, dislipidemia, resistência à insulina e alterações da composição corporal.

Os estudos analisados demonstraram que biomarcadores como IL-6, proteína C reativa, D-dímero, sCD14, sCD163, TNF-alfa, TNFR1, LPS e I-FABP são relevantes para compreender a persistência da inflamação e sua associação com desfechos clínicos e metabólicos. Esses marcadores indicam que o acompanhamento de pessoas vivendo com HIV deve ir além da carga viral e da contagem de linfócitos T CD4+, incorporando avaliação cardiometabólica, nutricional, inflamatória e, quando possível, intestinal.

A qualidade da dieta mostrou-se um componente importante na modulação do risco metabólico e inflamatório. Padrões alimentares inadequados, caracterizados por baixa ingestão de frutas, vegetais, fibras e alimentos de maior densidade nutricional, podem contribuir para pior perfil cardiometabólico e maior vulnerabilidade inflamatória. Por outro lado, padrões alimentares mais saudáveis, especialmente aqueles próximos à dieta mediterrânea, apresentaram associação com melhor perfil metabólico, microbiota intestinal mais favorável e possível redução de marcadores inflamatórios em determinados grupos.

As intervenções nutricionais avaliadas, incluindo dieta mediterrânea, azeite de oliva extravirgem, ômega 3 e DHA, apresentaram resultados promissores, especialmente sobre perfil lipídico, estresse oxidativo, proteína C reativa, microbiota intestinal e parâmetros metabólicos. Entretanto, os efeitos não foram uniformes para todos os marcadores inflamatórios, como IL-6 e TNF-alfa, demonstrando que a nutrição deve ser compreendida como estratégia complementar e integrada, e não como intervenção isolada capaz de eliminar a inflamação crônica associada ao HIV.

Outro achado relevante foi a importância da insegurança alimentar como determinante social da inflamação. A dificuldade de acesso regular a alimentos adequados mostrou associação com maior ativação imune e elevação de marcadores inflamatórios, indicando que o cuidado nutricional em pessoas vivendo com HIV deve considerar não apenas escolhas alimentares individuais, mas também vulnerabilidades sociais, econômicas e estruturais.

Conclui-se que a nutrição ocupa papel estratégico no cuidado integral de pessoas vivendo com HIV, especialmente na prevenção e no manejo de doenças metabólicas e cardiovasculares. A integração entre controle virológico, avaliação nutricional, promoção de padrões alimentares saudáveis, monitoramento metabólico, acompanhamento da composição corporal e enfrentamento da insegurança alimentar pode contribuir para reduzir a carga inflamatória e melhorar os desfechos clínicos nessa população.

Apesar dos avanços, ainda são necessários estudos longitudinais e ensaios clínicos randomizados de maior escala para esclarecer a causalidade entre dieta, microbiota, inflamação e doenças metabólicas no HIV, bem como definir intervenções nutricionais mais específicas, individualizadas e sustentáveis. Futuras pesquisas devem considerar a diversidade dos regimes antirretrovirais, o perfil imunológico dos pacientes, o padrão de microbiota intestinal, a presença de comorbidades e os determinantes sociais da alimentação.

REFERÊNCIAS

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    Ensaio-piloto relevante sobre dieta mediterrânea/portfolio em pessoas vivendo com HIV e dislipidemia.
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    Importante por trazer resultado negativo, mostrando que nem sempre o índice inflamatório da dieta explica inflamação sistêmica em imunológicos não respondedores.
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    Altamente aderente ao tema, pois avalia dieta, microbiota intestinal e biomarcadores inflamatórios em pessoas com HIV.
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    Base importante para discutir dieta, microbioma fecal, metaboloma e eixo intestino-fígado em pessoas vivendo com HIV.
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    Estudo multiômico relevante por relacionar microbioma intestinal, marcadores imunes, translocação bacteriana e saúde metabólica no HIV.
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    Relevante para discutir síndrome metabólica, microbiota intestinal e possíveis diferenças associadas aos regimes antirretrovirais.
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    Estudo recente conectando microbiota intestinal, dieta, inflamação e perfis cardiovasculares em pessoas vivendo com HIV.
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    Ensaio clínico sobre azeite de oliva extravirgem e biomarcadores inflamatórios/ateroscleróticos em pacientes com HIV.
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    Ensaio clínico sobre suplementação de ômega-3 e estresse oxidativo em pacientes HIV soropositivos.
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    Metanálise relevante por indicar redução de PCR com ômega-3 em pacientes HIV, sem efeito consistente sobre IL-6 e TNF-alfa.
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